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Testículos ou gônadas são glândulas masculinas, localizadas
atrás do pênis, no Saco escrotal. Os testículos, que produzem esperma e
testosterona, estão localizados fora da cavidade abdominal, pois o
esperma necessita de temperaturas alguns graus abaixo da temperatura
interna do corpo humano (2o C a menos).
As células germinativas produzem o esperma, que vai para o epidídimo
quando está maduro. Após algumas semanas, o esperma é misturado a outros
fluídos da próstata e da vesícula seminal, formando o sêmen.
A testosterona é o hormônio sexual masculino, necessário para a formação
do aparelho reprodutor e de outras características masculinas (pêlos,
voz grave, ombros largos, etc). Sem testosterona, o homem perde a sua
condição sexual, desenvolvendo fadiga, depressão e, até, osteoporose.
Câncer: Explicações e
Dados
O câncer, em geral, é um grupo de mais de cem doenças. Cada tipo de
câncer apresenta-se de uma forma diferente. Contudo, todas são doenças
relativas às células do organismo. Algumas vezes o processo de
multiplicação normal das células do organismo é afetado, assim, algumas
células não conseguem controlar o seu crescimento. Crescem muito
rapidamente e de forma desordenada. Muitas células são produzidas e
formam os tumores. Estes podem ser benignos ou malignos. A saber, os
tumores malignos são os cânceres. De acordo com especialistas, convém
esclarecer que quando se fala de câncer testicular, fala-se
principalmente de câncer nas células germinativas, responsável por mais
de 95% dos casos de câncer testicular. Nos 5% restantes há uma grande
variedade de tumores extremamente raros não relacionados às células
germinativas.
Incidência do Câncer
de Testículo
De acordo com o especialista em urologia pela Sociedade
Brasileira de Urologia, Stênio de Cássio Zequi, mestre em Oncologia pela
Fundação Antônio Prudente - Hospital do Câncer São Paulo, o câncer de
testículos é considerado raro, com uma incidência de 2,8 a 4,5 novos
casos por ano para cada 100 mil indivíduos. Para que se tenha um termo
de comparação, o câncer de próstata, bem mais conhecido, atinge 30% dos
homens a partir dos 50 anos e por isso tem merecido uma atenção muito
maior da imprensa e dos próprios órgãos governamentais de saúde, que
investem em campanhas de prevenção. Segundo o registro Hospitalar de
Câncer de São Paulo, em 1993 a incidência de casos novos de tumores
testiculares foi de 2,2 casos para cada 100.000 habitantes da cidade de
São Paulo.
Por sua baixa incidência e boas chances de cura, explica o Dr. Stênio, o
câncer testicular não é tão difundido e nem são feitas tantas campanhas
de prevenção. "Não se justifica do ponto de vista econômico e de
medicina preventiva investir em prevenção do câncer de testículo - seria
mais lógico aplicar estes recursos em doenças de maior incidência, como
a tuberculose, verminoses, desnutrição, por exemplo ou o próprio câncer
de próstata", argumenta, lembrando do transtorno que seria atender
milhares de pacientes receosos de estar com câncer no testículo para
diagnosticar apenas 3 ou 5 a cada 100 mil indivíduos.
O Dr. Stênio, também médico titular do Serviço de Urologia do Depto de
Cirurgia Pélvica do Hospital do Câncer A . C. Camargo, informou, com
base nos dados da American Cancer Society, de Atlanta nos Estados
Unidos, que no ano de 1998, estimou-se que 7600 homens desenvolveriam
câncer testicular naquele país. Contudo, desse total, previu-se que
menos de 400 morreriam - o que prova que também os índices de
mortalidade em função deste tipo de câncer são baixos quando comparados
a outros.
O câncer de testículo ocorre principalmente entre os homens entre 15 e
50 anos de idade, embora possa atingir qualquer homem em qualquer idade.
Apesar de raro, explica o especialista em entrevista exclusiva para esta
reportagem, o câncer testicular é, contudo, um tumor significativo,
porque atinge pacientes em plena fase produtiva, podendo comprometer sua
vida afetiva, sexual, reprodutiva e econômica. Se não tratado, é letal.
Alguns Indivíduos
São Mais Propensos
De acordo com o Dr. Stênio, alguns indivíduos são mais propensos a
desenvolver o câncer testicular: os que sofrem ou sofreram de
criptoquidia (quando o testículo não desceu para o escroto) possuem de 8
a 40 vezes mais chance de vir a desenvolver câncer no testículo. Também
os pacientes com algum tipo de atrofia testicular, por causa
desconhecida ou viral, são mais atingidos. Há ainda os indivíduos
estéreis ou com dificuldade para ter filhos, também reconhecidamente
mais propícios. Alguns autores recomendam que indivíduos com estes
históricos estejam mais atentos aos sintomas do câncer testicular e que
façam exames periódicos.
Outros pesquisadores citam ainda que homens cujas mães tomaram alguns
tipos de hormônios durante a gravidez podem ter desenvolvimento anormal
dos testículos, contudo não há provas científicas de que este fato
aumente o risco de câncer de testículo. Há outros pacientes com câncer
testicular que apresentam história de lesões traumáticas no escroto.
Mas, novamente, não há provas de sua ligação com o desenvolvimento do
câncer.
Sintomas
Os sintomas, embora não conclusivos, que devem levar o homem a
desconfiar de câncer testicular, são, entre outros: aumento no tamanho
dos testículos; enrijecimento dos testículos; sensação de peso do
testículo; dor ou desconforto no testículo ou na bolsa escrotal. No
entanto, sempre é necessário um diagnóstico médico, com um urologista. A
única maneira correta de se diagnosticar um câncer é com um exame
patológico. Em caso de diagnóstico positivo, o tratamento deve ser
iniciado o mais cedo possível.
O Dr. Stênio adverte ainda que o fato do câncer de testículo atingir
pacientes jovens e sexualmente ativos favorece a confusão ou o
mascaramento do diagnóstico. É comum que haja confusão ou que pode até
mesmo mascarar o diagnóstico do câncer de testículo ao confundi-lo com
orquiepididimites, que são inflamações dos testículos e epidídimos (em
geral de transmissão sexual ou secundárias à uretrites), bastante comuns
nesta faixa etária. "Portanto, não havendo melhora da sintomatologia ou
do inchaço após o emprego de antibióticos e analgésicos, uma avaliação
especializada é recomendada", indica.
Tratamentos
Os cânceres de testículo são quase sempre curáveis quando diagnosticados
precocemente. Esta doença pode responder bem ao tratamento
quimioterápico mesmo quando já se espalhou para outras partes do corpo,
esclarecem especialistas, como o Dr. Stênio.
Segundo o Dr. Stênio, não existem tratamentos alternativos confiáveis: é
preciso realmente contar com as técnicas cirúrgicas, a radioterapia e a
quimioterapia. Em primeiro lugar, explica o médico, é necessário saber
qual o tipo de tumor, se seminomatoso, que é um pouco menos agressivo,
ou se não-seminomatoso, pois isto vai definir qual o tipo de tratamento
que será dado. Também é preciso saber, antes de decidir por uma linha
terapêutica, "quanto" da doença o paciente tem, diz o especialista.
Por exemplo, é preciso saber qual a velocidade de evolução do tumor e se
ele atingiu outros órgãos. Isso de descobre, de acordo com o médico,
através de exames como a tomografia computadorizada de abdômen e pélvis,
raio-x e/ ou tomografia de tórax e através dos níveis dos marcadores
séricos, obtido em exames de sangue. São avaliados os níveis de
alfafetoproteína e de Beta-HCG no sangue do paciente. "Em todos os
casos, independente do volume de doença, da presença e localização das
metástases, sempre o testículo acometido deve ser removido, através da
cirurgia denominada orquiectomia radical", esclarece o médico.
De acordo com os resultados destes exames, é possível avaliar se o
paciente tem o tumor só no testículo, por exemplo, e este dado indicaria
como tratamento à remoção cirúrgica do órgão, através de uma incisão na
virilha e "não através do escroto!", alerta o Dr. Stênio. "Algumas vezes
são retirados nódulos linfáticos do abdome, pois, de 20 a 30% destes
indivíduos, mesmo com exames tomográficos normais, também apresentam
metástases microscópicas no chamado retroperitônio (dentro do abdômen,
próximo aos rins).
Nestes casos, fica também indicada a radioterapia, se o seu tumor for
seminomatoso, ou cirurgia ou quimioterapia, no caso dos
não-seminomatosos" explica o urologista do Hospital do Câncer. A
radioterapia é o uso de radiação contra o crescimento do tumor e das
células doentes. Como na cirurgia, a radioterapia é um tratamento local.
O urologista explica ainda que, no entanto, "quando já existem
metástases macroscópicas (maiores do que 2,0 ou 3,0 cm) no
retroperitônio ou outros órgãos, o melhor tratamento é através da
quimioterapia, para ambos os tipos de câncer testicular, se seminomatoso
ou não. Nestes casos, a quimioterapia pode ainda ser seguida de
cirurgia. Se a doença não responder à quimioterapia e nem à cirurgia,
ainda pode-se lançar mão de esquemas mais agressivos de quimioterapia ou
ainda outras alternativas, como o transplante de medula óssea".
A quimioterapia consiste no uso de drogas para o tratamento do câncer.
Pode ser um recurso de terapia combinada. Pode ser aplicada por via
oral, na corrente sangüínea ou por via intramuscular. Conforme as
condições gerais e a idade do paciente, a quimioterapia pode ser tomada
em consultórios médicos, ou na própria casa do paciente. Mas, muitos
pacientes têm que ser internados para que haja um controle maior das
dosagens e dos efeitos.
Chances de Cura
Conforme informações do Dr. Stênio, "o tumor de testículo é um modelo de
neoplasia maligna curável", ou seja, tem grandes chances de ser curado
se tratado cedo. "Os índices de cura vão ser sempre maiores a medida que
nós tivermos tumores de menores estádios ou com poucas metástases
(preferencialmente pulmonares) em comparação àqueles com tumores de
estádio avançados e com metástases múltiplas ou em outras vísceras que
não os pulmões", observa o especialista.
De acordo com o urologista, "quanto menores os níveis dos marcadores
séricos e melhor o estado geral do paciente, maiores são as chances de
cura, com várias alternativas terapêuticas". Com o advento da moderna
quimioterapia, "os índices de mortalidade pela doença decresceram em 71%
entre os anos de 1974 e 1994", cita o médico.
O médico do Hospital do Câncer esclarece que para os pacientes com tumor
localizado exclusivamente nos testículos e marcadores de baixos níveis,
é possível curar entre 98 e 100% dos indivíduos. "Para os pacientes com
metástases microscópicas e retroperitoniais, os índices de cura oscilam
de 85-90% até 100% das vezes", informa, acrescentando que "para os que
apresentam metástases macroscópicas de acometimento exclusivamente
pulmonar os índices de cura oscilam de 60-80%".
Ele conclui ainda que "já os pacientes com os marcadores extremamente
elevados, múltiplas metástases, incluindo, por exemplo, o sistema
nervoso central e demais vísceras (fígado e ossos), os índices de
sobrevida ficam por volta de 30%". O médico vê este dado como positivo:
"Mesmo nos casos muito ruins, é possível curar 1/3 dos pacientes e
devolvê-los às suas vidas normais", analisa.
Efeitos Colaterais
Médicos advertem que os efeitos de tratamentos com quimioterapia e
radioterapia podem ser desagradáveis. Há um medo generalizado de que a
perda de um testículo leve à infertilidade ou a problemas sexuais.
Porém, sabe-se que com um testículo saudável, um homem pode ter ereção e
produzir espermatozóides. Assim, a operação de remoção de um testículo
não torna o paciente infértil e, em nenhum caso. "Na verdade, boa parte
dos indivíduos portadores do câncer de testículo apresenta taxas de
fertilidade inferiores às da população normal e não devido à cirurgia.
Da mesma maneira, a potência sexual e a virilidade não são afetadas em
absoluto pelo ato cirúrgico em si", esclarece o Dr. Stênio, que informa
ainda que "piora da qualidade das ereções ou diminuição do desejo sexual
são relatadas em cerca de 20 a 30% dos indivíduos, porém são alterações
eminentemente de fundo psico-emocional (comuns a vários outros tumores
malignos), devendo ser tratados com psicoterapia. Estudos nos EUA
mostram que os números de divórcio, desemprego e situações similares
nestes indivíduos não diferem da população normal".
Após remoção de nódulos linfáticos retroperitoniais, pode haver
interferência no sistema nervoso envolvido na ejaculação. "Com isso
alguns pacientes podem ter a chamada ejaculação seca (atingem orgasmo
sem a ejaculação do esperma para o meio externo). Felizmente, quando
operados em fases iniciais, a função ejaculatória normal é preservada em
mais de 95% dos casos. Já nos operados após a realização de
quimioterapia o problema é mais freqüente", ensina o médico.
De acordo com o Dr. Stênio, a redução ou desaparecimento do nível de
espermatozóides em pacientes tratados com quimioterapia também é
possível, podendo ser definitiva ou reversível na maioria dos casos após
3 ou 5 anos. Ele indica aos seus pacientes que coletem esperma e o
congelem em bancos de esperma especializados, para que possam ter filhos
futuramente.
A radioterapia afeta as células normais e as cancerígenas. Contudo, as
células normais podem se recuperar. Os pacientes podem sentir cansaço e
náuseas, vômitos ou diarréia durante o tratamento (contornável com
medicações simples). O tratamento radioterápico não modifica a
capacidade sexual do homem, mas pode. Normalmente, esse efeito é
temporário e regride em alguns meses. Finalmente, podem ocorrer reações
da pele, na região tratada. Deve-se tratar a pele, sob a orientação
médica, evitando o uso de loções e cremes por conta própria.
O tratamento quimioterápico causa efeitos colaterais, pois produz
efeitos sobre as células cancerígenas e também nas células de
crescimento. O tratamento é feito de forma cíclica, alternando-se
períodos de uso de drogas com períodos de descanso. Os efeitos
colaterais dependem do tipo de droga aplicado e de fatores individuais.
Pode-se observar, durante a aplicação da medicação: queda de cabelos,
baixa na resistência, perda de apetite, náuseas e vômitos. "Em longo
prazo são relatadas alterações da microcirculação e de sensibilidade em
extremidades, aumento dos níveis de colesterol sangüíneo e maior risco
para doenças com infarto do miocárdio ou derrame cerebral", acrescenta o
Dr. Stênio em entrevista para o BoaSaúde.
A perda de apetite é um sério problema a ser enfrentado. Pesquisas
mostram que pacientes que se alimentam bem estão mais aptos a suportar
os efeitos colaterais do tratamento. Alguns pacientes, de acordo com a
American Cancer Society, descobriram que fazer pequenas refeições,
várias vezes por dia, é um modo mais fácil do que tentar comer três
refeições grandes.
"Devemos relatar que a grande maioria destes pacientes supera os efeitos
colaterais e recuperam -se para a vida em família e em sociedade, muitas
vezes constituindo prole, exercendo atividades profissionais desportivas
de destaque. na verdade, hoje em dia busca-se empregar cada vez menos
medicações sem que se perca o máximo de eficiência com o mínimo de
efeitos colaterais, felizmente, no caso dos tumores dos testículos, isto
é uma realidade", adiciona o médico.
Continuidade do Tratamento
Realizar exames regularmente é muito importante para um paciente que foi
tratado de câncer nos testículos. Durante anos, o paciente deve ser
monitorado para que se tenha certeza de que o câncer não reaparecerá nos
dois primeiros anos subseqüentes, que, segundo o Dr. Stênio, são os que
requerem maior atenção. No caso do câncer ressurgir, deve-se iniciar um
tratamento rapidamente, para que a doença seja controlada o mais
depressa possível.
Normalmente, durante os dois primeiros anos, o paciente deve realizar
exames de sangue e realizar freqüentes exames de raios-X e tomografia
computadorizada.
Mais uma vez, segundo informações da Associação Americana, pacientes que
foram tratados de câncer num testículo possuem entre 2 e 3% de chance de
desenvolverem a doença no outro testículo. Os pacientes devem ir ao
médico com freqüência e continuar fazendo o auto-exame todos os meses.
Qualquer novo sintoma deve ser reportado ao médico sem demora, para que
haja um pronto diagnóstico e tratamento.
Copyright © 2001 eHealth Latin America 01 de Março de
2001

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